BRASIL: SÃO PAULO São Paulo CAPÃO

A Casa do Capão, também conhecida como Casa do Regente Feijó, construída em taipa de pilão, apesar das muitas reformas que alteraram seu partido original, pode ser incluída entre as casas bandeiristas, inclusive por sua posição, próxima ao Córrego Aricanduva e mais próxima ainda ao Córrego do Tatuapé.

O primeiro registro das terras onde se encontra a casa data de 1698. Várias sucessões de posse por herança, ações de compra e venda, desmembramentos levam à figura do padre Diogo Antônio Feijó, que foi seu proprietário entre 1827 e 1842, datas que balizam sua atuação como deputado por São Paulo na legislatura de 1826 a 1829 e sua participação na Revolução Liberal de 1842.

No decorrer do Século XIX, a planta original da casa foi modificada, sendo acrescentado mais um andar, o que interferiu na geometria do telhado originalmente com quatro águas e fez desaparecer o alpendre.

The Capão House, also known as the Regente Feijó House, built from rammed earth, in spite of many alterations to its original architectural design, can be included in the collection of bandeirante houses, not least because of its location, close to the Aricanduva Stream and even closer to the Tatuapé Stream.

The first official reference to the land where the house is situated dates from 1698. The ownership of the land changed hands several times as a result of inheritances, purchases and sales, and land divisions, until it became the property of father Diogo Antônio Feijó from 1827 to 1842, the period during which he was a Member of Parliament for São Paulo in the 1826-1829 legislature and participated in the Liberal Revolution of 1842.

In the course of the 19th century the house’s original floor plan was modified, with the addition of a further storey, which interfered with the geometry of the roof, which was originally hipped, and removed the porch.

Casa do Capão: vista frontal

Casa do Capão: vista frontal

Casa Morrinhos: vista Foto: Dalton Sala2007

Casa Morrinhos: vista       Foto: Dalton Sala 2007

Falar das casas bandeiristas é recordar o desenho de uma hidrografia soterrada pelo asfalto.

A Casa do Capão se situa entre os Córregos Aricanduva e Tatuapé, estando mais próxima deste último.

Com cerca de 20 quilômetros de curso, o Córrego Aricanduva nasce nas proximidades da cidade de Mauá (no Pico do Cruzeiro, ponto culminante na zona leste de São Paulo, com 998 metros de altitude) e deságua na margem esquerda do Tietê. Seu percurso, entre o Tietê e o Tamanduateí, oferecia um caminho alternativo de acesso a Piratininga.

O Tatuapé, também afluente do Tietê, segue na mesma direção que o Aricanduva. Suas águas eram bastante rasas, o que deu origem à expressão Água Rasa, que denomina a região à volta de seu leito. 1

Seguindo em direção leste, esses caminhos buscam os contrafortes da Serra do Mar: passando pela Capela do Pilar, Ribeirão Pires, Rio Grande e Paranapiacaba, descia ao litoral pela vertente mais íngreme, mas também mais rápida.

Outra alternativa era seguir o Tamanduatéi e descer pelo caminho do meio, que coincide com a Calçada do Lorena.

E a terceira alternativa para descer ao litoral era seguindo o Ipiranga até o Jabaquara (onde está a Casa da Ressaca), e daí seguir para o litoral sul. 2

A cidade guarda suas memórias: o estudo das Casas Bandeiristas, vistas não como um modelo ideal, mas como parte funcional da ocupação de um espaço geográfico e social, se relaciona diretamente, em um primeiro momento, com o sistema hídrico do Planalto de Piratininga.

E, uma vez assegurada essa ocupação do Planalto, segue-se um processo de expansão, tendo como eixo principal o Anhembi.

Casa do Capão: instalações auxiliares com jeito de senzala de escravos Foto: Dalton Sala - 2007

Casa do Capão: instalações auxiliares com jeito de senzala de escravos       Foto: Dalton Sala – 2007

Casa do Capão: vista lateral esquerda Foto: Dalton Sala - 2007

Casa do Capão: vista lateral esquerda       Foto: Dalton Sala – 2007

Em 1911, a Casa do Capão foi vendida à Associação Feminina Beneficente e Instrutiva – Lar Anália Franco. Anália Franco 3 realizou a transformação das edificações do sítio em recolhimento para menores abandonados; isso implicou em uma série de intervenções e acréscimos em alvenaria de tijolos, tanto na casa quanto nos anexos existentes.

A Casa do Capão foi tombada pelo Conselho do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo – CONDEPHAAT em 14 de Agosto de 1984 4 e pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – CONPRESP em 5 de Abril de 1991. 5

1. Águas fundas eram as águas do Ipiranga, e ainda hoje a região contígua às suas nascentes se chama Água Funda.

2. É evidente que todos esses caminhos tinham variantes e interligações.

3. Anália Emília Franco Bastos (1853-1919): escritora, professora e jornalista, fundou 71 escolas inclusivas para negros, 2 albergues, 1 colônia regeneradora para mães solteiras, 23 asilos para crianças órfãs, 1 banda musical feminina, 1 orquestra, 1 grupo dramático, além de oficinas para manufatura de chapéus, flores artificiais etc., em 24 cidades do interior e da capital de São Paulo.

4. Inscrição no Livro do Tombo Histórico nº 230; Processo 20701/78.

5. Resolução CONPRESP nº 05/91.

 

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