BRASIL: SÃO PAULO  Cotia  MANDU

Ocupa, em relação ao Rio Cotia, posição simétrica à casa do sítio do Padre Inácio, ou seja, as casas estão em margens opostas do rio. Entre elas, seguindo o percurso de um antigo caminho indígena, passava o caminho pelo qual Raposo Tavares adentrou os sertões, hoje rodovia que leva seu nome.

Em 1946, a casa foi notada pelo arquiteto Eduardo Kneese de Mello, cuja família adquiriu a propriedade. Comunicada a descoberta ao arquiteto Luís Saia, foram, foram com o escritor Mário de Andrade, o arquiteto João Batista Vilanova Artigas e o padre Romeu Dale, atestar a autenticidade da construção.

Posteriormente, a casa foi doada por Kneese de Mello ao Governo Federal, passando então à responsabilidade do IPHAN, que orientou seu restauro.

This house is situated directly across from the Sítio do Padre Inácio House, on the opposite bank of the Cotia River. The road by which Raposo Tavares accessed the hinterland once ran between these two houses, following an old indigenous trail that wound along the river, and now it is the Raposo Tavares Highway.

In 1946, the house was noticed by architect Eduardo Kneese de Mello, whose family had acquired the property. He told architect Luis Saia about this discovery, and they went together with Mário de Andrade, architect João Batista Vilanova Artigas and Priest Romeu Dale to verify the construction’s authenticity.

Kneese de Mello later donated the house to the Federal Government, and it thus came under the responsibility of IPHAN, which guided its restoration.

Vista frontal da Casa do Mandu, antes de sua restauração. Foto: Dalton Sala2005

Vista frontal da Casa do Mandu, antes de sua restauração.       Foto: Dalton Sala 2005

Quando foi encontrada, possuía vestígios de piso assoalhado 1 e a capela interna possuía pintura na cúpula do altar-mor; dessa pintura restam apenas resquícios, à espera de um miraculoso restauro e de um estudo que possa estabelecer sua datação.

Vista posterior da Casa do Mandu, depois de sua restauração. Foto: Tiago Sala2007

Vista posterior da Casa do Mandu, depois de sua restauração.       Foto: Tiago Sala 2007

Construída em taipa de pilão e taipa de sopapo, provavelmente na segunda metade do Século XVII, a Casa do Mandu tem um alpendre à frente (social) e outro aos fundos (de serviço?), como a Casa do Butantã. Possui também uma capela, onde o forro e altar eram decorados, mas esta decoração se perdeu.

A casa está situada à meia encosta, entre Cotia e Barueri, aproximadamente a 100 metros da margem esquerda do Rego do Moinho.

A sua cobertura, em quatro águas marcadas por curvas elegantes terminando em longos beirais, forma internamente um vão utilizável como depósito.

É de notar que também os tetos das casas do Padre Inácio e do Caxingui, tem essas elegantes curvaturas (galbos) no encontro de suas águas.

Casa do Mandu Foto: Tiago Sala 2007

Casa do Mandu       Foto: Tiago Sala 2007

Casa do Padre Inácio Foto: Dalton Sala 2005

Casa do Padre Inácio       Foto: Dalton Sala 2005

Casa do Caxingui Foto: Tiago Sala 2007

Casa do Caxingui       Foto: Tiago Sala 2007

A Casa do Mandu foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN em 12 de Janeiro de 1961 2 e pelo Conselho do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo – CONDEPHAAT em 24 de Julho de 1974 3.

Em 1964, logo em seguida ao tombamento pelo IPHAN, os últimos donos da Casa do Mandu – o arquiteto Eduardo Kneese de Mello e sua esposa Wilma Quintanilha – doaram o imóvel e parte do terreno em que estava situado à União.

Casa do Mandu e mensagem de Eduardo Kneese de Melo a Júlio Katinsky. Montagem de Victor Hugo Mori2007 Arquivo Fotográfico da 9ª SR-IPHAN-SP

Casa do Mandu e mensagem de Eduardo Kneese de Melo a Júlio Katinsky. Montagem de Victor Hugo Mori       2007 Arquivo Fotográfico da 9ª SR-IPHAN-SP

“Informações sobre o Sítio do Mandu:

Meu pai, Horácio de Melo, comprou o Sítio do Mandu, que era vizinho à sua chácara, em 5 de Dezembro de 1946, do senhor Kenshima Komatsu, que o comprou de Roberto Galhego em 4 de Dezembro de 1926.

Quanto tomei conhecimento da existência de um casarão da taipa do tipo das casas ‘bandeiristas’ do Butantã e do Caxingui, que eu já conhecia, fotografei-o e fui mostra-lo ao Saia. Dias depois fomos visita-la, eu, Saia, Mário de Andrade, Artigas e o padre Romeu Dale.

Creio que é tudo que você quer, meu caro Katinsky.

Um abraço do Eduardo Kneese de Melo 2 de Setembro de 1972” 4

Há alguma indefinição em relação às datas: Mário de Andrade morreu em 25 de Fevereiro de 1945, portanto esta foto é anterior à aquisição datada de 5 de Dezembro de 1946.

Mário de Andrade (reconhecível apenas pelo chapéu), em visita à Casa do Mandu. Foto: Germano (Herman Hugo Graeser)1944 Arquivo Fotográfico da 9ª SR-IPHAN-SP

Mário de Andrade (reconhecível apenas pelo chapéu), em visita à Casa do Mandu.       Foto: Germano (Herman Hugo Graeser) 1944 Arquivo Fotográfico da 9ª SR-IPHAN-SP



1. Embora pranchas de madeira sem fixação possam ter sido utilizadas nos quartos de dormir para conforto dos moradores, especialmente na época das chuvas, piso assoalhado ou assoalho de tábuas é coisa muito incomum nessas moradias, podendo ser entendido como sinal de ocupação posterior à sua.
2. Inscrição no Livro Histórico nº 332, Processo 0433-T-50.
3. Inscrição no Livro do Tombo Histórico nº 82; Processo 00337/73.
4. Mensagem de Eduardo Kneese de Melo a Júlio Katinsky. Arquivo da 9ª SR-IPHAN-SP.

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