ADOBE | palavra de origem árabe que designa grandes tijolos de barro feitos de argila misturada com resíduos orgânicos como palha, capim, fezes de gado ou pelos de animais, para aumentar sua consistência e impedir rachaduras na secagem; esta massa é moldada em formas de madeira, de onde as peças são retiradas e postas para secar, inicialmente à sombra e depois ao sol; a técnica do adobe é ancestral, difundindo-se do médio-oriente para a Europa e para a América; por extensão, construção feita com esse material.

AGLUTINANTE | para que o barro não rachasse durante o processo de secagem, misturava-se diversos materiais orgânicos, como estrume de gado, capim, pelos de animais, crinas de cavalo e muares; às vezes se menciona também restos orgânicos de animais mortos, como vísceras e, principalmente, sangue.

ÁGUA-MESTRA | nas casas de planta retangular com em telhados de quatro águas, cada uma das duas vertentes de forma trapezoidal; as duas vertentes triangulares são chamadas tacaniças.

AGULHA | peça cilíndrica de madeira que sustenta as formas no processo de levantamento de uma parede de taipa de pilão; também chamada de cangalha de baixo, em contraposição à cangalha de cima, que fixa o taipal por cima.

ALMOFADA | detalhe decorativo losangular, em alto relevo, entalhado nas portas, janelas e pilares.

ALPENDRE | palavra que designa um abrigo à entrada de um edifício, espécie de zona intermédia entre o interior e o exterior; na casa bandeirista o alpendre, sempre abrigado sobre uma das águas do telhado e exibindo duas pilastras de madeira, está incorporado à estrutura do edifício; é lá que o senhor da casa recebe, ordena e dispõe; em um dos lados, geralmente à direita de quem olha para a casa, está a capela (por exemplo: Santo Antônio e Padre Inácio); à esquerda, o quarto de hóspedes, sem comunicação com o interior da casa; é também pelo alpendre que se estende a audiência da missa celebrada na capela.

ARGAMASSA | geralmente designa uma mistura de areia, água e aglutinantes (ver) como cal e cimento; na casa bandeirista, basicamente construída com terra, a argamassa aparece na junção de adobes de paredes de divisão interna (como se pode ver no interior do edifício do Convento da Luz) e nesse caso é apenas terra com aglutinantes orgânicos; aparece também em estruturas de arrimo e alicerces de pedra sobre os quais se ergue a parede de taipa (por exemplo, em Santo Antônio) e nesse caso é uma mistura que inclui areia, cal ou mesmo um tipo primitivo de cimento obtido a partir da queima de pedras calcárias.

ASNA | peça triangular de madeira utilizada na sustentação dos telhados.

BALAUSTRADA | sequência de balaústres (ver).

BALAÚSTRE | cada uma das pequenas colunas, com base e capitel, dispostas em sequência nas balaustradas, ligadas superiormente por um corrimão de escada ou por parapeito de sacada, terraço, platibanda etc; os balaústres das casas bandeiristas são de seção quadrada, colocados diagonalmente nas janelas, formando um gradeado característico; na capela do sítio de Santo Antônio a balaustradas estão elegantemente justapostas a treliças (ver)

BALDRAME | viga de madeira colocada junto ao chão, parte da estrutura da armação da técnica de pau-a-pique

BARRO | principal elemento construtivo das paredes das casas bandeiristas, nas paredes de taipa de pilão (ver) ou de taipa de sopapo (ver), o barro é preparado amassando-se terra com água e misturando-se elementos orgânicos como aglutinantes (ver), para evitar ou diminuir as rachaduras, em conseqüência da contração da secagem; estes elementos orgânicos são o capim, a crina de animais, fezes de gado ou mesmo sangue e outros restos do abate de animais; para se fazer o barro a ser socado na taipa de pilão, a melhor terra é a vermelha, uniforme, com umidade natural (apertada com a mão forma uma massa compacta, onde se vê as marcas dos dedos), e sem restos vegetais; via de regra, a terra utilizada era a do próprio terreno onde se levantava a casa.

BATENTE | rebaixo na madeira ou cantaria do vão de porta ou janela, que impede seu avanço ao fechar se encaixam e batem ao fechar, impedindo seu avanço e fixando-as; também pode designar a folha que fecha em primeiro lugar nas portas e janelas de duas folhas.

BEIRAL | extremidade inferior de água de telhado que se projeta para fora da prumada da parede externa, protegendo-a da chuva;.

BRAÇA | unidade de comprimento, equivalente a 2,20m.

CABODÁ | orifício que fica nas paredes feitas de taipa de pilão, após serem retiradas as agulhas que sustentam as formas entre as quais se coloca o barro socado com pilão.

CACHORRO | extremidade de viga de madeira que se projeta para além uma parede de taipa (ver), sustentando a armação do telhado; às vezes são ornamentados com entalhes, como os cachorros do sítio do Padre Inácio, os grandes cachorros dos beirais (ver) das casas bandeiristas desviavam as águas das chuvas, protegendo as paredes de taipa.

CAIBRO | elemento estrutural de um telhado: peças de madeira de seção retangular, que se dispõem da cumeeira ao frechal, a intervalos regulares e paralelas umas às outras, sobre as quais que assentam transversalmente as ripas em que se apóiam e se encaixam as telhas; em algumas casas madeiras roliças exercem a função de caibros.

CAL | basicamente óxido ou hidróxido de cálcio, a cal era utilizada no revestimento das casas bandeiristas, mistura a óleo de baleia ou gorduras animais, caracterizando as extensas paredes brancas; obtida inicialmente em sambaquis (cemitérios indígenas onde se encontravam também grande quantidade de carapaças de moluscos e crustáceos), foi depois produzida em fornos onde se queimavam pedras calcárias; o tratamento das paredes com cal tem o benefício de afastar os insetos; é possível que o forno que se encontra em Araçariguama produzisse cal para as várias casas bandeiristas das proximidades: Voturuna, Santo Antônio, Querubim, São Romão.

forno de Araçariguama

forno de Araçariguama

 

CAMARINHA | diminutivo de câmara; câmara pequena, como a que foi construída pelos beneditinos na casa do sítio Morrinhos.

Camarinha da Casa Morrinho, vista dos fundos da casa.      Foto: Dalton Sala    2005

Camarinha da Casa Morrinho, vista dos fundos da casa.      Foto: Dalton Sala   2005

Vista interior da camarinha da Casa Morrinhos.      Foto: Dalton Sala    2005

Vista interior da camarinha da Casa Morrinhos.      Foto: Dalton Sala   2005

CEPILHO | plaina pequena, utilizada para alisar a madeira.

CODO | pau roliço, envolto em folha de bananeira, que é colocado dentro da massa da taipa de pilão (ver); depois de desmontado o taipal (ver), os codos são retirados e no buraco ou cabodá (ver), é enfiada as agulhas (ver) que sustentarão a forma para a pilagem da próxima camada; os codos eram colocados na massa quando a altura da terra pilada estivesse chegando aos dois terços da altura do taipal.

COLUNA | elemento vertical de sustentação, praticamente não utilizado nas casas bandeiristas, cujas paredes de taipa de pilão (ver) são portantes; as colunas são utilizadas apenas na técnica do pau-a-pique (ver), na qual são chamadas de esteios (ver).

CONDEPHAAT | sigla do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo, órgão criado em 1968, responsável pelos tombamentos a nível estadual.

CONPRESP | sigla do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo, órgão responsável pelos tombamentos a nível municipal.

CONVERSADEIRA  | assento de madeira colocado sobre um corte na taipa, junto às janelas das casas bandeiristas; normalmente aparecem em duplas, permitindo observar a rua ou conversar com quem está sentado no assento oposto ou do lado de fora da casa.

 interior da casa de Parnaíba

interior da casa de Parnaíba

CONTRAFRECHAL | viga paralela ao frechal, colocada no mesmo nível, na qual são pregados os caibros do telhado.

CONTRANÍVEL |

CUMEEIRA | parte mais elevada de um telhado, na interseção de duas águas mestras; o pau da cumeeira, também chamado de pau de fileira, é a viga que sustenta esta interseção, na qual se apóiam as extremidades dos caibros.

EMPENA | nos edifícios de telhado de duas águas, cada uma das paredes laterais em cujos vértices superiores se apóia o pau de fileira ou cumeeira.

ENCIMA |

ENVASADURA |

ESTEIO | madeira com a função de coluna, fincada verticalmente no chão, determinando as extremidades de uma parede de pau-a-pique (ver).

ESPIGÃO | aresta formada pelo encontro de duas águas de um telhado; a palavra é também, algo impropriamente, utilizada para determinar o ponto extremo de um ângulo ou conjunto de ângulos determinados por estas arestas; por extensão, o ponto mais alto de um telhado de formado por várias águas triangulares, onde se coloca uma peça de barro cozido para impedir a entrada das águas da chuva; entre os paulistas, era costume arrematar os telhados piramidais com uma panela de barro invertida.

FOLHA | parte móvel que fecha o vão de uma porta ou janela.

FORMÃO | ferramenta de carpintaria, com extremidade chata e cortante.

FRECHAL | madeira com a função de viga, colocada sobre os esteios (ver) na técnica de pau-a-pique (ver).

FRONTAL | prancha de madeira que fecha lateralmente a caixa onde a taipa é pilada.

GRADIL |

GOIVA | ferramenta de seção côncavo-convexa, com o corte do lado côncavo, utilizada para entalhar peças de madeira.

GONZO | elemento de fixação de portas e janelas, dobradiças de madeira obtidas por meio de cortes nas bordas de uma prancha, deixando saliências, pinos ou hastes que encaixam em aberturas que funcionam como suas contrapartes fêmeas, permitindo o giro das pranchas e conseqüente abertura das portas e janelas.

JIRAU | do tupi yu’ra, plataforma ou armação de madeira que repousa sobre forquilhas; estrado de madeira, à meia altura, usado como depósito de utensílios, mercadorias ou gêneros alimentícios.

IPHAN | sigla atual do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, órgão responsável pelos tombamentos a nível federal; criado por Rodrigo Melo Franco de Andrade em 1937, com o nome de serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), transformando-se depois em Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN) e Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (novamente SPHAN).

LANÇO | cada uma das seções horizontais formada pelo conjunto de uma série de blocos de taipa pilada, colocados à mesma altura em uma parede.

NAVE | espaço central, que atravessa longitudinalmente uma igreja ou capela, do pórtico até o altar.

OMBREIRA | peça vertical que, encostada aos pares nos lados dos vãos de portas ou janelas, dão sustentação às vergas (ver).

PADIEIRA | peça de madeira, verga superior de janela ou porta.

PARTIDO | resultado formal da conjugação de uma série de fatores determinantes de um projeto arquitetônico, incluindo o programa de utilização, o terreno, a tradição, os materiais, a mão-de-obra, a intenção ou desenho.

PAU-A-PIQUE | técnica de construção em terra na qual as paredes são feitas com barro amassado (ver) lançado simultaneamente dos dois lados de uma trama de varas verticais e horizontais, e dois alisado; inicialmente, pilares de madeira, os esteios ou pés direitos (ver), são fincados no chão, nas extremidades das paredes; os esteios são ligados entre si por vigas horizontais, os baldrames (ver), que podem estar junto ao chão ou sobre alicerces de terra; em cima, a estrutura é travada com a colocação de outras vigas, os frechais (ver), formando um sistema rígido de sustentação; nas faces superiores dos baldrames e nas faces inferiores dos frechais são feitos furos onde são fixadas varas verticais e, a partir destas varas verticais é feita uma trama com varas horizontais, amarradas com cipó ou com fibras vegetais; finalmente, é lançado o barro sobre a trama, o qual é depois alisado, fechando completamente os vãos; nas casas bandeiristas a taipa de sopapo, quando aparece, é nas divisões internas; o pau-a-pique é também chamado de taipa de sopapo ou taipa de sebe.

PENDURAL | peça de madeira componente da asna (ver), situada no eixo da estrutura.

PLAINA | ferramenta de corte reto usada para desbastar e alisar madeiras.

PLANTA | representação da projeção horizontal de um edifício.

PERNAS | cada uma das duas peças que compõem uma asna (ver), ligando as extremidades da viga em que a asna se apóia ao pendural (ver). ???

RETÁBULO | estrutura entalhada em madeira que constitui a parte posterior de um altar; nas casas bandeiristas são altares de madeira que se engastam nas paredes de taipa, como se pode observar na capela do sítio de Santo Antônio ou no refeitório do sítio Morrinhos; às vezes a palavra é utilizada como sinônimo de altar, que outrora estavam nas paredes do fundo das capelas das diversas casas, como hoje ainda se pode ver nas casas Japão e Conceição, embora sejam altares de fatura posterior, ou seja, não são altares do período das bandeiras.

REVESTIMENTO | dada sua própria natureza, toda parede de taipa deve ser protegida da umidade, especialmente da chuva; como os beirais (ver) resguardam apenas o topo e as porções superiores das paredes, é necessário um revestimento para maior proteção: neste revestimento, a argamassa é colocada em várias camadas, sendo que a primeira utiliza a mesma terra da taipa, misturada com esterco fresco e um pouco de areia; nas demãos seguintes, aumenta-se a proporção de água e de cal, sendo que a terra e o esterco vão diminuindo até desaparecer, o que exige a adição progressiva de areia.

TABATINGA | do tupi towa’tinga: barro branco, designa uma argamassa feita de argila, à qual pode se adicionar cal, usada como revestimento das paredes de taipa.

TACANIÇA | vertente de forma triangular de um telhado de quatro águas, as duas vertentes trapezoidais são chamadas águas-mestras.

TAIPA | designação genérica do processo de construção de paredes que utiliza barro amassado; existem duas variantes: a taipa de pilão e a taipa de sopapo (ver).

TAIPA DE PILÃO | principal processo de construção das paredes portantes das casas bandeiristas: na taipa de pilão o barro era previamente amassado com fibras vegetais e restos orgânicos que serviam como aglutinantes (ver), diminuindo as rachaduras da contração resultante da secagem; em seguida, era socado com pilões dentro de formas de madeira com altura aproximada de meia braça (ver) ou 1,10 m; a terra a ser socada era disposta em camadas de cerca de 15 cm de altura, que se reduziam à metade após a pilagem; essa operação era repetida seqüencialmente em lanços (ver), até que a parede atingisse a altura desejada; na medida em que a parede subia as formas iam sendo apoiadas em peças cilíndricas de madeira chamadas agulhas (ver), cuja retirada deixava na taipa uma série de buracos chamados cabodás (ver); a secagem da terra pilada era rápida e no dia seguinte à feitura de uma fiada ou lanço, já se podia armar novamente o taipal e acrescentar mais um lanço à parede; evitava-se os perigos da chuva cobrindo-se os blocos recém acabados com sapé; a parede de taipa de pilão podia ser levantada sobre um alicerce de pedra, mas a melhor solução era levantá-la dentro de valas escavadas ao longo do perímetro da casa, pois a ausência de alicerces de pedra resultava em uma continuidade entre a parede e o solo, permitindo melhor escoamento da umidade e mesmo da água das chuvas, que corre do telhado para o solo através das fendas que a secagem produzia no barro.

TAIPA DE SEBE | o mesmo que pau-a-pique (ver).

TAIPA DE SOPAPO | o mesmo que pau-a-pique (ver).

TAIPAL | armação de madeira usada na feitura da taipa de pilão (ver); forma de madeira onde se coloca e se pila o barro: basicamente, duas grandes pranchas de madeira, a uma distância média de 60 cm; esta caixa é fechada lateralmente pelos frontais (ver) e sustentadas em baixo e em cima por paus roliços, chamados agulhas (ver) ou cangalhas de baixo e cangalhas de cima; as agulhas possuem furos em ambas as extremidades, onde são enfiados outros paus roliços, chamados costelas, que sustentam lateralmente os planos das pranchas; os frontais são sustentados por escoras de madeira; a técnica paulista apoiava sucessivamente o taipal nas agulhas (ver), utilizando os buracos deixados pelos codos (ver), chamados cabodás (ver); a técnica dos jesuítas adotava duas fileiras paralelas de esteios fincados no chão, apoiando as pranchas superiores sobre as pranchas inferiores,

TAIPEIRO | operário especialista na confecção da taipa.

TELHA-VÃ | telhado destituído de forro, cujas telhas geralmente são soltas, não fixadas por argamassa, raras vezes presas umas às outras por um dispositivo de ferro em forma de

TESOURA | estrutura de madeira usada na sustentação de telhados, não utilizada nas casa bandeiristas, sua função é exercida pela asna (ver), que é praticamente uma tesoura inclinada.

TERÇA | viga horizontal ligando as duas pernas de uma asna, onde se apóiam as zonas intermediárias dos caibros.

TIRANTES | viga de madeira, cujas extremidades se poiam apoiadas em duas paredes de uma construção, compensando as forças que tendem a tirá-las do prumo.

TRAVESSA | peça de madeira que trava e segura outras dispostas em sentido contrário, auxiliando na distribuição de peso.

TRELIÇA | estrutura reticulada, resultante da combinação de diversas ripas entrelaçadas, utilizada para vedar a vista sem interceptá-la completamente, favorecendo apenas a visão do interior para o exterior e permitindo a circulação de ar.

VERGA | viga de madeira, reta ou curva, que se apóia nas ombreiras (ver) de portas e janelas.

VIGA | elemento de sustentação horizontal, nas casas bandeiristas as vigas são de madeira, exercendo a função de tirantes )ver) e colaboram também como apoio de telhados e jiraus.